A força da brandura

“Bem-aventurados os os mansos, porque eles herdarão a terra.” – Mt 5:3

“Bem-aventuradosos os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.” – Mt 5:7

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.” – Dito popular

Pode não parecer, mas a terceira frase acima guarda perfeita relação com as duas passagens que selecionamos de “O Sermão da Montanha”.

Sempre se destacam, diariamente, o valor da brandura, do respeito, da camaradagem e da cortesia nas relações humanas. Porém, quantos estão dispostos a persistir nos comportamentos e atitudes fraternais?

Lemos este ou aquele livro que ressalta o valor da gentileza. Ouvimos o palestrante, o pastor ou o padre, falar da virtude da mansuetude, da paciência, da calma e da gentileza. Surge um novo filme que destaca o valor das palavras como instrumentos da construção de uma sociedade mais harmoniosa e fraterna. No entanto, falta-nos a persistência na vivência dos valores exaltados e sempre nos deixamos envolver em pensamentos, ideias e atitudes violentas e/ou destrutivas.

Soluções rápidas e radicais surgem daqui ou dali – pena de morte para combater a violência, castigos severos e cruéis para inibir a delinquência, coisas assim são pronunciadas quase que diariamente, por aqueles que são considerados “formadores de opinião” -, sob o pretexto da urgência, porque “a sociedade está em perigo, está sendo destruída”.

O número dos que se encontram quais barris de pólvora que só precisam de uma faísca para detonarem, sobram diante dos mansos e pacíficos. O que está faltando?

Aí entra a sabedoria popular. Falta-nos a paciência e a persistência da água. Um único pingo d’água será incapaz de modificar a rigidez da rocha, mas a ação persistente e repetida conseguirá abrir fendas na mais sólida delas.

Somente a ação calma e persistente no bem será capaz de vencer a rigidez do orgulho e do egoísmo humanos, chagas da humanidade, como sabiamente afirmaram os Espíritos Superiores à Allan Kardec, permitindo que a predominância dos bons sobre os maus transforme a humanidade.

Se queremos seguir os passos do Cristo, se queremos mesmo ser seus discípulos, abraçemos a cruz da paciência, da mansidão, da calma, da abnegação e da renúncia e, seguindo o exemplo da água, sejamos persistentes e perseverantes, e roguemos forças ao Alto para não esmorecermos diante da primeira dificuldade, pois somente assim alcançaremos a condição, o merecimento e a consciência de chamarmos a nós mesmos de “filhos de Deus”, como Jesus o fez.

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