Arquivo da categoria: Evangelho

Textos e explanações evangélicas, à luz do Espiritismo.

Perdão das ofensas

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Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” no Capítulo X – Bem-aventurados os que são misericordiosos – encontramos explanação de um espírito que se identifica como Simeão, cujo título é Perdão das Ofensas, na qual conclama os espíritas, dizendo:

Espíritas, jamais vos esqueçais de que, tanto por palavras, como por atos, o perdão das injúrias não deve ser um termo vão. Pois que vos dizeis espíritas, sede-o. Olvidai o mal que vos hajam feito e não penseis senão numa coisa: no bem que podeis fazer. Aquele que enveredou por esse caminho não tem que se afastar daí, ainda que por pensamento, uma vez que sois responsáveis pelos vossos pensamentos, os quais todos Deus conhece. Cuidai, portanto, de os apagar de todo sentimento de rancor. Deus sabe o que demora no fundo do coração de cada um de seus filhos. Feliz, pois, daquele que pode todas as noites adormecer, dizendo: Nada tenho contra o meu próximo. Simeão. (Bordéus, 1862.)

As palavras de Simeão, apesar de dirigidas aos espíritas, servem a todo e qualquer Cristão, pois se trata da aplicação da moral ensinada pelo Cristo. Além de saúde espiritual, fazer esforço para eliminar quaisquer pensamentos ou sentimentos de mágoa trará profundos benefícios à saúde corporal, o que é muito importante, considerando que se trata de instrumento dado por Deus para ser utilizado em nosso aprimoramento.Porém, não se trata de tarefa fácil.

Para um cristão, perdoar deve ser a primeira coisa em que se pensar quando do registro de uma ofensa ou mágoa. Quem perdoa ou sente a necessidade de perdoar está confessando que sua alma foi atingida por algum tipo de agressão e que ficou ressentida. O ideal seria sequer registrar a ofensa, deixá-la passar como um fato qualquer, uma intercorrência normal. Mas nossos egos são demasiado sensíveis para tal.

O ato de perdoar, para quem sente necessidade de passar por esse processo – e se você não é um espírito da envergadura de Gandhi ou Madre Tereza, terá que em algum momento pô-lo em prática -, só é alcançado de verdade pela compreensão daquele que ofende. Afinal, perdoar é, também, um exercício de tolerância.

O ofendido precisará refletir sobre a conduta daquele que ofende, questionando: qual sua realidade? Por quais problemas estará passando? Que traumas sua vida registrou? Como foi sua vida afetiva durante a infância? E, outra questão fundamental que deve ser feita: eu, nas condições em que o irmão(ã) se encontra ou passando pelo que ele(a) passou, poderia agir de forma semelhante?

Portanto, perdoar torna-se inevitável quando se exercita o processo de compreender. Não tem nada com esquecer, estamos longe disso. Em nossa condição evolutiva, esquecer pode ser mais uma forma de evitar o problema, menosprezá-lo. Muitos procuram enganar a própria consciência, dizendo: esqueci, já perdoei! Mas a simples lembrança ou o contato com o autor, reacende a mágoa.

Quem registra uma ofensa e quer por em prática as lições de Jesus, fará um esforço por compreender o fato, fará aquele exame de consciência que o Mestre Divino impôs à turba que pretendia apedrejar a mulher acusada de adultério: “…quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”.

Poderia ter dito: examina tua consciência e verifica se tu também não estás merecendo uma pedrada!?

Fontes consultadas: Fonte Viva (Fraternidade; Se Soubéssemos; Desculpa Sempre; Aprendamos com Jesus) – Emmanuel (psicografia de Chico Xavier)

 

Sabedoria das Parábolas

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A editora Martin Claret, numa decisão muito importante para a literatura universal, decidiu fazer uma coleção da obra-prima de vários autores, editando centenas de livros que considerou a obra-prima de cada autor, e entre estes fez publicar a magistral obra de Huberto Rohden, Sabedoria das parábolas. Nascido na cidade de São Ludgero, no estado de Santa Catarina, era estudioso da doutrina espírita, educador e filósofo, traduzido os quatro evangelhos do grego, tendo publicada mais de 65 oras, atinge neste seu livro as mais excelsas culminâncias da visão cósmica da mensagem do Cristo.

Ele transcende todo intelectualismo e, por meio de luminosa intuição, explica não somente por linguagem simples e atual a simbologia que existe por detrás das parábolas, mas também sobre a mística das beatitudes, tornando a obra o caminho para iluminação e cristificação do corpo e do espírito. No prelúdio ele imagina o jovem carpinteiro, depois dos labores diurnos, subir lentamente os montes escarpados que se erguem por detrás da cidadezinha de Nazaré, sentar-se num dos penhascos cinzentos, com o rosto voltado para o Ocidente, onde o sol mergulhava nas águas azuis do Mar Mediterrâneo. Durante os três anos de sua vida pública, refere o evangelho, passava Jesus noites inteiras no alto dos montes ou na solidão do ermo, em sintonia cósmica com o infinito, e dessa profunda e vasta experiência direta do reino de Deus brotaram as parábolas. Toda parábola, ensina o autor, consta de dois elementos; o símbolo material e o simbolizado espiritual. O símbolo material, tirado da natureza ou da sociedade humana é compreensível a todos; mas a compreensão – simbolizado espiritual – depende do estado de evolução de cada um.

A obra comenta as várias parábolas dos evangelhos, entrecortadas em vários capítulos e versículos cuja leitura necessita de visão espiritual para apreender o ensino das mesmas. Entre as várias parábolas comentadas em sua obra, o autor inicia com a do Filho Pródigo (Lc 15, 11-32). É da lavra do autor o extraordinário comentário desta parábola:

“a história do filho pródigo encerra uma metafísica de infinita profundidade e uma mística de inaudita sublimidade, o filho mais velho representa um ser humano que, longe de atingir as alturas da individualidade do Eu divino, nem sequer despertara para a personalidade do seu ego humano. E quem não tem consciência do seu ego ão é possuidor de nada, como os seres da natureza, que nada sabem de posse ou possessividade.”

Por isso, diz muito bem o Pai, que simboliza Deus. “Tudo que é meu é teu.” Tudo que de Deus é também do mundo infra-humano – mineral, vegetal, animal -, mas esse mundo nada sabe de “meu”. O infraego não possui nada, nem sequer um “cabrito”. A consciência do “meu” é um corolário do pequeno “eu” personal ou ego.

O filho mais novo havia chegado à ego-consciência personal e a tinha superado, atingindo as alturas da Eu-consciência cósmica. O hino místico Exultet, que se canta anualmente na véspera ou manhã da Páscoa, exclama: “O felix culpa! O vere necessariun Adae peccatum, quod talem et tantum meruisti Redemptorem! [Ó culpa feliz! Ó pecado de Adão realmente necessário, que tal e tão grande Redentor mereceste!]”

No final da obra o autor analisa a mística das beatitudes e resume o que o mestre disse depois de proferir as oito proclamações que representam a plataforma do reino de Deus: “Vós sois o sal da terra; Vós  sois a luz do mundo!”

Ubirajara Emanuel Tavares de Melo, vice-presidente da ADE, diretor do NEIL e Maçon. Texto publicado no Jornal do Commercio, de 12 de maio de 2013.
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Novo Testamento – Nova Tradução

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A voz que dizia: “por que me persegues?”

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“Saulo, Saulo, por que me persegues?” Assim como Saulo, quantos de nóstambém não fomos despertados por uma voz, chamando-nos à razão?

Tudo isso ocorre porque, muitas vezes, ficamos obscurecidos seguindo por diversos caminhos que pensávamos ser o correto, o ideal, pois assim teríamos sido educados; e com isto, vamos refletindo uma verdade sem escolhas, na nossa conduta diária; seja ela no âmbito social, familiar ou religioso. E tudo isso vai conduzindo-nos à falta do conhecimento e da vivência de outros conceitos; e o pior, muitas vezes, nos transformando inconscientemente em seres discriminativos e preconceituosos; perseguindo algo sem nos dar a chance de conhecer e a oportunidade de compartilhar.

Por que será que perseguimos aqueles que não pensam, e agem como nós? Onde estaria a liberdade de escolhas e de ponto de vista de cada ser?

Entretanto, lembremos que uma alma se liberta à medida que a conquista; então, entrevê claridades novas, e passa a compreender o que antes não compreendia, adquire novas ideias, e coisas novas surgem revelando o sentido verdadeiro dos fatos, das palavras e da vida. E quando a luz se faz, novos conhecimentos também aparecem, iluminando a mente e induzindo-nos a apreciá-las com mais justiça e apreço, tirando delas bons ensinamentos.

Com certeza, muitas vezes não estamos preparados para tal revolução em nossas vidas, por isso os espíritos evoluídos, os mensageiros de Deus, sopram a fé para que todos nós possamos ouvir a vossa voz humilde a nos chamar, e a nos alertar que algo esta errado. É como aquela passagem do Evangelho que nos diz: “O espírito sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem ele, nem para onde vai”.

Todavia, como nem tudo na vida é belo e maravilhoso, existe aqueles que nos sopram a descrença, a discórdia, o medo e a rivalidade, para que não possamos abrir os olhos e ver a luz do amor nos ensinamentos de Jesus. E foi por isso que Jesus disse: “Guardai-vos dos falsos profetas que vêm ter convosco cobertos de peles de ovelha”. Mas, nisso, como em tudo, há pessoas que ficam para trás, até serem arrastadas pelo movimento geral, que as esmaga, se tentam resistir-lhe em vez de o acompanharem. É aí então que entra em nossas vidas uma das grandes lições que Jesus nos deixou: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente, sereis meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

Portanto não nos deixemos abater ou ser vencidos pelas perseguições e por qualquer mal imposto durante a nossa existência, seja em que campo for, mas a vencermos praticando e fazendo o bem, como em Paulo aos coríntios, nos diz: “… perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos”.

Quando ouvimos a voz a nos falar e não damos atenção, seremos iguais àquela passagem do Evangelho que diz: “Aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica se assemelha a um homem insensato que construiu sua casa na areia… grande será a sua ruína”. Compreender sim, perseguir jamais. Disse-nos Jesus: “Não julgueis seguindo a aparência, mas julgais segundo a reta justiça”.

Teresa Cristina Soares, membro do Centro Espírita O Codificador.
Texto publicado no Jornal do Commercio de 5 de maio de 2013.

A fé, a Esperança e a Caridade

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“Ainda que eu fale todas as línguas dos homens, e mesmo a língua dos anjos, se eu não tiver caridade, sou apenas como o bronze que soa ou o címbalo que retine; e se eu tivesse o dom da profecia, e penetrasse em todos os mistérios, e tivesse uma perfeita ciência de todas as coisas, e ainda que eu tivesse toda a fé possível, até a de transportar montanhas, se eu não tiver caridade, nada sou.

E quando eu houvesse distribuído os meus bens para alimentar os pobres, e entregado meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, isso de nada me servirá.

A caridade é paciente, é terna e beneficente; a caridade não é invejosa, não é temerária nem precipitada; não se enche de orgulho, não é desdenhosa, não procura seus próprios interesses, não se vangloria nem se irrita com nada, não faz más suposições, não se alegra com a injustiça, mas sim com a verdade; ela tudo suporta, tudo crê, tudo espera e tudo sofre.

Agora estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade permanecem, mas entre elas a principal é a caridade.” (Paulo, 1ª Epístola aos Coríntios, Cap. XIII: 1 a 7 e 13.)

Essa é sem dúvida uma das mais belas passagens da Bíblia. A inspiração divina é evidente e incontestável.

O que terá levado o “Apóstolo Tardiu” a escrevê-la? O que o terá inspirado?

Uma leitura atenta vai revelar tratar-se de uma autoanálise. Foi por ele compartilhada porque é universal. As propostas são reflexões típicas de quem questiona os próprios sentimentos e atitudes, algo comum para quem já é detentor da consciência da missão maior que os seres criados por Deus têm: evoluir. E tratando especificamente dos seres dotados de consciência – nós, humanos – evoluir em todos os aspectos: o material e, principalmente, o espiritual.

Paulo em nenhum momento quis desprezar a fé, nem a esperança, nem qualquer outra virtude. Todas são importantes, são benéficas e merecem ser cultivadas. Mas ele percebeu que as virtudes para serem verdadeiramente úteis à nossa evolução necessitam do “sal” da caridade. Para ele, fé e esperança são virtudes incompletas e, como tais, isoladamente de nada servem. A fé e a esperança sem a caridade são virtudes inativas, são como corpos sem alma.

Comparativamente, a fé e a esperança seriam a semente e o solo fértil. Sozinhas, não dão condições para fazer nascer o vegetal que trará o alimento que todos necessitamos para viver. Falta a e a água – a água da caridade. A vida em nosso planeta só existe por causa da água. A água da caridade é o que dá vida e ação à fé e à esperança.

Jesus pede para semearmos o quanto pudermos, no entanto, Ele nos ensina a semear em solo fértil que oferece garantias de que a semente vai se desenvolver, fincar raízes profundas a fim de produzir em abundância. Fazer diferente equivale a atirar pérolas aos porcos, é desperdiçar recursos valiosos. Não foi à toa que Paulo de Tarso pôs as palavras e as ideias em gradação: fé, esperança e caridade – semente sã, solo fértil e água. Realmente, aquelas duas virtudes só atingem seus fins se a terceira se fizer presente.

Somente a caridade fará multiplicar as bênçãos que a misericórdia de Deus põe em nossas mãos, todos os dias. Se queremos mesmo ser multiplicadores das dádivas divinas, façamos como nos recomenda Jesus e como nos esclarece Paulo.

Se queremos uma fé equilibrada e operante, devemos levá-la a um ambiente em que poderá florescer, mas sem caridade, corre-se o risco de se desenvolver ações sem objetivos verdadeiramente nobres ou pode levar ao destrutivo fanatismo religioso.