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Ninguém faz nada sozinho

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Jamiro dos Santos Filho (foto), nosso entrevistado, é conhecido nacionalmente. Natural de Anápolis-GO e radicado em Araguari-MG há muitos anos, Jamiro é escritor com vários livros publicados e palestrante que tem levado sua palavra a quase todos os Estados brasileiros. Integrante da equipe de trabalhadores do Centro Espírita Nosso Lar, que completou 25 anos, relata sua experiência – inspirada pelo médium Chico Xavier – de fundar em sua cidade uma instituição que integra Escola e Centro Espírita em um mesmo espaço.

 *

Quando surgiu o Centro Espírita Nosso Lar e como foi?

Em 1985 eu e minha esposa Luci realizávamos semanalmente o Evangelho no lar. Aos poucos a minha família começou a participar, e em pouco tempo o espaço já estava totalmente ocupado. Surgiu, então, a sugestão de fundação de uma Casa. No início de 1986, mensagens dos Amigos Espirituais afirmavam que a família, antes de reencarnar, havia assumido o compromisso de abrir uma Casa Espírita. Assim, diante da revelação, em fevereiro de 1986 foi fundado o Centro Espírita Nosso Lar.

Ele sempre funcionou no mesmo endereço, desde que surgiu?

Sim. Quando fundamos a Casa, não tínhamos nem mesmo o terreno, apenas o sonho. Em setembro do mesmo ano a prefeitura doou o terreno e começamos a construção. Em janeiro de 1987 inauguramos a Casa com uma festa para os nossos corações. O endereço é Rua Padre Gusmão, 140, no bairro Paraíso, em Araguari, MG.

Como surgiu a ideia de ter um departamento como escola?

Por misericórdia de Jesus, tive uma convivência regular com Chico Xavier. Com alguns amigos sempre o visitávamos, pelo menos quatro a seis vezes por ano. Era comum ficarmos até alta madrugada. Em 1994 eu contei ao Chico que havíamos ganhado o terreno ao lado do Centro e que minha intenção era abrir ali um albergue. Ele olhou carinhosamente em meus olhos, pegou minha mão e disse que o nosso compromisso era abrir uma Escola dentro do Centro. Fiquei surpreso, e ele insistiu afirmando que a Escola deveria ser no mesmo espaço físico do Centro, e assim, além de ensinar, a Escola quebraria os preconceitos que as pessoas tinham do Espiritismo. Então, no dia 3 de outubro de 1994, em homenagem a Kardec, fundamos o que é hoje o Colégio Dom Bosco.

É uma Escola comum?

Sim, é uma Escola como as outras. Temos o Ensino Infantil, Ensino Fundamental I e II e o Ensino Médio. Estamos, hoje, com 280 alunos, e, como disse Chico Xavier, a Escola deve amparar a criança carente sempre que for possível. Então, temos hoje alunos que recebem bolsas, alguns até com bolsa total. Nossa finalidade é ampliar nossa atuação em outras áreas da educação e promoção humanas. A caminhada é longa, pois já se foram 17 anos, e sabemos que ainda muito temos a realizar.

Há atividade espírita na Escola?

Não temos necessariamente aulas espíritas. Chico Xavier também disse que a função da Escola não é ensinar Espiritismo. Mas, conforme suas palavras, as crianças que passarem pela Escola talvez nem se tornem espíritas, mas não serão contra o Espiritismo. Os pais também passariam a ver o Espiritismo de uma forma diferente, sem preconceitos, e assim tem acontecido. Aos poucos, pais e alunos vão observando que ali se realizam outras atividades que acabam despertando o interesse deles.

Sendo os prédios conjugados e no mesmo espaço, como é conciliada a atividade espírita com a atividade de escola?

Durante o dia as atividades da Escola ocupam todo o espaço, até mesmo o salão onde são realizadas reuniões com pais, professores e acontecem também aulas com vídeo aos alunos. À noite, as reuniões do Centro ocorrem normalmente, todas as segundas, terças e quintas-feiras. O consultório odontológico está no mesmo espaço, e atende aos carentes. Temos quatro dentistas que doam voluntariamente seus serviços, e nós oferecemos o material para socorrer aos mais carentes. Atendemos em média 100 pessoas por mês. E tanto alunos quanto os pais observam essa atividade assistencial, e aos poucos eles se inteiram de que ali também se presta auxílio àqueles que sofrem. O pátio e o refeitório, que durante os dias da semana são usados pelos alunos, aos sábados servem de local onde é servida a sopa fraterna com frequência média de 200 pessoas. Enfim, Escola e Centro “convivem” muito bem.

Comemorar os 25 anos foi uma grande conquista. Comente esse fato.

Sem dúvida nenhuma, completar 25 anos de trabalho foi uma alegria para os nossos corações. Somos conscientes de que realizamos algo muito singelo, no entanto, mesmo assim nos sentimos felizes em olhar que nos últimos 25 anos estivemos envolvidos com uma obra de amor ao próximo. E nessa oportunidade alguns amigos estiveram em Araguari para nos abraçar e assim fortalecer nossos corações para que possamos prosseguir tentando servir. Foi uma festa singela regada de alegria e fraternidade.

Qual a influência de Chico Xavier em toda a história da instituição?

Não há como negar a grande influência de Chico Xavier, não somente na fundação da Escola, mas também no seu direcionamento, manutenção e incentivo. Depois, por mais duas vezes lá estivemos, e, diante das dificuldades da época, dissemos que fecharíamos a Escola, mas o Chico nas duas vezes disse: – Vai mais um pouco, tente mais um pouquinho. E completou: Nós, espíritas, temos que provar que somos capazes de contribuir com a educação no mundo, pois outras religiões já possuem até faculdades. E assim prosseguimos. A influência do Chico também se deu e muito em nossas atividades do Centro, pois tentamos assimilar o “jeitinho mineiro” do Chico de realizar as atividades de uma Casa Espírita.

Como é a atividade promocional humana na conciliação Escola e Centro Espírita?

A promoção humana do Centro é feita como em outras Casas espalhadas por todo o Brasil. Nossas atividades são simples, ou seja, a parte doutrinária com reuniões públicas de estudos, evangelho e passes. Temos também cursos da Doutrina, evangelização infantil e mocidade. A assistência e promoção humana também são realizadas dentro de nossas possibilidades de recursos, com a sopa fraterna e a distribuição, sempre que possível, de cestas, roupas e cobertores no inverno. A Escola dedica uma parte de seus recursos para a distribuição de bolsas, pois o Chico também disse: – Os recursos da Escola devem ser aplicados na Escola, e quando puder usem os recursos excedentes para amparar crianças carentes. E assim temos feito, muito embora ainda não seja possível fazer tudo que a gente gostaria, mas estamos caminhando fazendo o possível.

Algo mais a acrescentar?

Quero dizer que completar 25 anos de atividades do Centro e 17 anos do Colégio Dom Bosco foi ao mesmo tempo alegria que fez brilhar nossos olhos, mas também refletir que ninguém faz nada sozinho. Quantos corações se fizeram presentes ali para que tudo estivesse como está? E quantos ali continuam colaborando com seus bondosos corações para que a obra de Jesus prossiga por mais longos anos? Não temos como enumerar quanto fomos ajudados para chegar até aqui. Minhas palavras são de gratidão a todos do Grupo Nosso Lar e a eles repasso os frutos dessa pequena obra de amor.

Por Orson Peter Carrara. Entrevista publicada em O Consolador.
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Investimentos

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O valor da Cooperação fraterna

Compreensível o espírito de previdência que induz o homem a se preservar contra a penúria.
A formação bancária na garantia comum, os estabelecimentos de segurança pública, as organizações de economia popular sem estímulo à usura e os institutos de proteção recíproca representam aquisições de inegável valor para a comunidade.
Ninguém deve menosprezar o ensejo de se resguardar contra a exigência imprevista. Essa realidade, patente no plano material, não é menos tangível no reino do espírito.
Urge depositar valores da alma, nas reservas da vida, considerando as nossas necessidades de amanhã.
A interdependência guarda força de lei, em todos os domínios do Universo.
Caridade é dever, porque, se os outros precisam de nós, também nós precisamos dos outros. Não esperes, porém, pelo poder ou pela fortuna terrestres a fim de cumpri-la.
Faze os teus investimentos de ordem moral com o que tens e com o que és.

Começa agora.

Quotas pequeninas de força monetária totalizam grandes créditos. Migalhas de bondade formam largos tesouros de amor.

Relaciona algumas das possibilidades ao alcance de todos:
o minuto de cortesia;
o testemunho de gentileza;
o momento de tolerância, sem nenhum apelo à crítica;
a referência amistosa;
a frase encorajadora;
a demonstração de entendimento;
a desculpa espontânea, sem presunção de superioridade;
a conversação edificante;
a pequenina prestação de serviço;
o auxílio além da obrigação…

No capítulo da propriedade, lembra-te da própria alma – a única posse inalienável de que dispões – e, recordando que precisas e precisarás de recursos sempre maiores e sempre novos para evoluir e elevar a própria vida, não te esqueças de que podes, a todo instante, trabalhar e servir, investindo felicidade e cooperação com ela.

Encontro Marcado – Emmanuel/Chico Xavier

Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho

Continuando com a entrevista que Divaldo Pereira Franco deu ao pernambucano Jornal do Commercio, que circulou no dia 02/09/2012, segue exposição de Divaldo sobre o livro psicografado pelo espírito Humberto de Campos.

JC – Um livro psicografado por Chico Xavier, de autoria de Humberto de Campos, apresenta o Brasil como coração do mundo e pátria do evangelho. Como acreditar nessa denominação diante de tanta corrupção? Será que o País vai engrenar e crescer do ponto de vista educacional?

DIVALDO – Não só nosso País como o mundo. Nós vamos ver. Ocorre que essa é uma imagem figurativa de Humberto de Campos, porque Deus não tem Canaãs, não tem Israels. Não tem países privilegiados. Na sua condição de literato brasileiro muito respeitado, ele concebe, literariamente, que o Brasil tem a forma de um coração. Uma forma aparente. Quando ele fala de coração do mundo é porque o brasileiro, genericamente, não é belicoso, não temos tido movimentos revolucionários sangrentos como tantos países da América Latina e do mundo. Então, nesse sentido de afetividade, miscigenação das raças, o brasileiro é realmente gentil, otimista, contenta-se com pouco, é afável. É a pátria do evangelho porque aqui a doutrina espírita expande-se. É o país mais espírita do mundo e tem exportado a doutrina. É nesses sentido alegórico que o Brasil é o coração do mundo. Mas chegará o dia em que o mundo todo será a grande Canaã, a terra da promissão.

Parabéns, Chico Xavier!

O insubstituível

Não sei se me será possível,

Com a minha cultura de baixo nível,

Homenagear este servo do Senhor.

Nesta encarnação sacrificial,

Foi denominado pela geração atual,

Chico Xavier, o homem amor!

Em 2 de abril de 1910, ele nasceu,

Em 30 de junho de 2002, às 19:30 faleceu,

Muito sofreu desde tenra idade…

Quando a morte levou sua mãezinha,

Ele foi entregue a Rita sua madrinha,

Que o tratou com requintes de crueldade.

Foi uma criança muito sofrida,

Obrigado até a lamber ferida,

Duas surras por dia ele levava.

Cedinho orava a sua mãezinha,

Era o único conforto que ele tinha

Maria João de Deus, assim ela se chamava!

Pedro Leopoldo, Minas Gerais,

O mundo não te esquecerá jamais,

Nem mesmo por apenas um segundo…

Os sofrimentos da presente encarnação

Ampliara a sua percepção,

Transformando-o no maior médium do mundo.

Segundo o espírito André Luiz,

O homem será feliz ou infeliz,

Enquanto não conquistar a sublimação…

Desde o átomo ao arcanjo,

Do imbecil ao anjo,

Tudo marcha para a perfeição!

Poucos são os que conservam a fé,

Como o nosso saudoso Chico Xavier,

Que amava a Deus e os semelhantes…

A sua humildade e a sua calma

Refletiam a grandeza de sua alma,

Criador das bibliotecas ambulantes.

Como o maior propagador do espiritismo,

Nenhum outro teve o brilhantismo,

Na exemplificação da prática da caridade.

Caridade em favor da divulgação,

Foi assim que a terceira revelação,

Chegou ao alcance de todo a humanidade.

João Lima

(São Lourenço da Mata-PE)

Tereza de Calcutá, Chico do Brasil

Ambos nasceram em 1910, ela, Teresa de Calcutá, ele, Chico de Pedro Leopoldo. Ela uma mulher valente, ele um homem corajoso. Ela, católica, ele espírita, no entanto ambos portavam-se como verdadeiros integrantes da família universal. Tinham muito mais em comum do que apenas o ano de nascimento. Seguiam o mesmo professor: Jesus, tinham o mesmo sobrenome: amor, viveram para o mesmo objetivo: servir.

Ela recebeu o prêmio Nobel da Paz, ele viveu pacificamente toda a vida.

Teresa de Calcutá viveu para os menos favorecidos, queria ser pobre, nunca conseguiu. Seu coração transbordava riquezas; a nobreza da generosidade, as pérolas da fraternidade, os diamantes da solidariedade. Dizia Teresa em toda sua simplicidade que a felicidade humana é impossível de ser mensurada. Como controlar em planilhas estatísticas a felicidade de um faminto que encontra o alimento? Teresa tinha razão. Impossível mensurar a felicidade humana. Por isso trabalhava sem estatísticas, mas em prol da felicidade e dignidade de seus irmãos de caminhada.

Chico Xavier, o Chico de Pedro Leopoldo, O Chico do Brasil, o mineiro do século também queria ser pobre, sem sucesso. Doou os direitos autorais de seus mais de quatrocentos livros psicografados que venderam e vendem milhares de exemplares em todo mundo. Poderia ter polpuda conta bancária, no entanto preferiu a simplicidade, mas nunca foi pobre, sua vida foi repleta de amigos dos dois planos, Chico era e será onde estiver um milionário; um magnata das letras, um ícone da humildade, um pobre das moedas, mas rico de amor…

Assim eram Teresa e Chico… franzinos fisicamente, mas colossais espiritualmente. Narram as páginas da literatura que quem se aproximava de Teresa, a Madre Teresa de Calcutá, não conseguia conter a emoção, devido a irradiação de sua serenidade e sua intensa energia espiritual.

O que a literatura diz de Teresa, reafirma com Chico. Aqueles que gozaram de sua convivência afirmam que sua presença iluminava, acalmava, tranqüilizava…

Chico e Teresa; Teresa e Chico… É como se falássemos de amigos: “Oi Teresa!” “Bom dia, Chico!” Embora não os tenha conhecido, falar deles, de suas conquistas, realizações e aventuras é como falar de amigos, porque com os amigos não há barreiras, não há inquietações, inexistem constrangimentos. Os amigos deixam-nos à vontade, sinto-me, pois, à vontade para escrever sobre Teresa e Chico os quais considero amigos; amigos do mundo, dos ricos, dos pobres, dos brasileiros, indianos, nigerianos, amigos de todos…

Teresa e Chico; Chico e Teresa, duas figuras que praticavam o amor, deixaram marcas inesquecíveis e indeléveis a nos convidar para, dentro de nossas possibilidades obviamente, viver como eles, servindo e amando para a construção de um mundo fraterno e justo.

Vamos pensar bem nisso.

Do blogdocezar.zip.net

Dia da Mulher

“E, respondendo, disse-lhe Jesus: — Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.” (LUCAS, 10:41 e 42)

Compenetrar-se do apostolado de guardiã do instituto da família e da sua elevada tarefa na condução das almas trazidas ao renascimento físico.

Todo compromisso no bem é de suma importância no mundo espiritual.

Afastar-se de aparências e fantasias, consagrando-se às conquistas morais que falam de perto à vida imperecível, sem prender-se ao convencionalismo absorvente.

O retorno à condição de desencarnado significa retorno à consciência profunda.

Afinar-se com os ensinamentos cristãos que lhe situam a alma nos serviços da maternidade e da educação, nos deveres da assistência e nas bênçãos da mediunidade santificante.

Quem foge à oportunidade de ser útil engana a si mesmo.

Sentir e compreender as obrigações relacionadas com as uniões matrimoniais do ponto de vista da vida multimilenária do Espírito, reconhecendo a necessidade das provações regenerativas que assinalam a maioria dos consórcios terrestres.

O sacrifício representa o preço da alegria real.

Opor-se a qualquer artificialismo que vise transformar o casamento numa simples ligação sexual, sem as belezas da maternidade.

Junto dos filhos apagam-se ódios, sublima-se o amor e harmonizam-se as almas para a eternidade.

Reconhecer grave delito no aborto que arroja o coração feminino à vala do infortúnio.

Sexo desvirtuado, caminho de expiação.

Preservar os valores íntimos, sopesando as próprias deliberações com prudência e realismo, em seus deveres de irmã, filha, companheira e mãe.

O trabalho da mulher é sempre a missão do amor, estendendo-se ao infinito.

André Luiz, psicografia de Chico Xavier, in Conduta Espírita

Livros Espíritas e “livros espíritas”

Excelente entrevista com Divaldo Pereira Franco.

Postagem do blog do Jerônimo Mendonça que reproduzimos abaixo.

Opinião de Divaldo sobre a enxurrada de livros “espíritas” no mercado. Reencarnação no plano espiritual?!?!?!
Segue trechos da entrevista de Divaldo Franco do livro Conversando com Divaldo Pereira Franco editado pela Federação Espírita do Paraná sobre as obras espíritas.
FEP:O movimento espírita tem sido invadido por uma enxurrada de publicações que trazem a informação de serem mediúnicas. Temos visto que os dirigentes, vários deles, não utilizam qualquer critério de seleção doutrinária. O que nos aconselha?
Divaldo: “O nosso pudor em torno do Index Expurgatorius da Igreja Romana leva-nos, sem nos darmos conta, a uma tolerância conivente. Como não nos é lícito estabelecer um mapa de obras que mereçam ser estudadas em detrimento daquelas que trazem informações inautênticas em torno dos postulados espíritas, muitos dirigentes, inadvertidamente, divulgam obras que prejudicam mais a compreensão do Espiritismo do que aclaram.
É muito comum dizer: mas é muito boa! Mas, muito boa, porém não uma obra espírita e no que diz respeito à mediunidade, a mediunidade ficou tão barateada, tão vulgarizada, que perdeu aquele critério com que Allan Kardec a estuda em “O Livro dos Médiuns”.
O médium é médium desde o berço. Os fenômenos nos médiuns ostensivos começam na infância e quando têm a felicidade de receber a diretriz da Doutrina, torna-se o que Chico Xavier denominava com muita beleza: mediunidade com Jesus. O que equivaleria dizer: a mediunidade ética, a mediunidade responsável, criteriosa, a mediunidade que não se permite os desvios do momento, os modismos.
Mas a mediunidade natural pode surgir em qualquer época e ela surge como inspiração. O indivíduo pode cultivá-la, desenvolve-la naturalmente.
Vem ocorrendo uma coisa muito curiosa, pela qual, alguns espíritas desavisados, de alguma maneira, são responsáveis: se o livro é de um autor encarnado, não se lê, porque como se ele não tivesse autoridade de expender conceitos em torno da Doutrina. Mas, se é um livro mediúnico, ele traz um tipo de mística, de uma chancela, e as pessoas logo acham que é o máximo. Adotam esse livro como um Vade Mecum, trazendo coisas que chocam porque vão de encontro aos postulados básicos do espiritismo.
Entra agora uma coisa que é profundamente perturbadora: o interesse comercial. Vender o livro sob a justificativa de que as Casas Espíritas necessitam de recursos. Para atender as necessidades, vendem obras de autoajuda, de esoterismo, de outras doutrinas, quando deveríamos cuidar de divulgar as obras do Espiritismo, tendo um critério de coerência.
Quando visitei Paris pela primeira vez, em 1967, eu fui ver e conhecer a Union Spirite Française que ficava na Rua Copernique, número 8. Era período de férias, agosto a setembro, praticamente a Europa fecha-se e a França, principalmente. A Union estava fechada. Chamou-me a atenção as vitrinas que exibiam obras: não tinha uma espírita. Eram obras esotéricas, eram obras hinduístas, eram obras de Madame Blavatsky. São todas respeitáveis, mas não temos compromisso com elas. O nosso compromisso é com Jesus e com Kardec, sem nenhum fanatismo e sem nenhuma restrição pelas outras obras, que consideramos valiosas para cultura, para ampliação do entendimento. Mas, temos que optar por conhecer a Doutrina que professamos.
Verificamos, neste momento, essa enxurrada perniciosa, porque saem mais de cinqüenta títulos de obras pseudomediúnicas por mês, pelo menos que nos chegam através dos catálogos, tornando-se impossíveis de serem lidas. O que ocorre? Eu recebo entre 10 e 20 solicitações mensais, pedindo aos Espíritos prefácios para obras que ainda estão sendo elaboradas. A pressa desses indivíduos de projetar a imagem, de entrarem nesse pódium do sucesso é tão grande que ainda não terminaram de psicografar – quando é psicográfica – ou de transcrevê-la, quando é inspirada, ou de escrevê-la, quando é de próprio punho, de própria concepção, já preocupado com o prefácio. Eu lhes digo: Bom, aos Espíritos eu não faço solicitações. Peço desculpas por não poder mandar o prefácio desejado. Espere, pelo menos, concluir o trabalho. Pode ser que eu morra, pode ser que você morra e pode ser que o Guia reencarne antes de terminar a obra.
É uma onda de perturbação para minar-nos por dentro. O Codificador nos recorda que os piores inimigos estão no próprio Movimento, o que torna muito difícil a chamada seleção natural. Nós deveremos ter muito cuidado ao examinar esses livros. Penso que as instituições deveriam ter uma comissão para lê-los, avaliar a sua qualidade e divulgá-los ou não, porquanto as pessoas incautas ou desconhecedoras do Espiritismo fascinam-se com ideias verdadeiramente absurdas.
Tenho ouvido e visto declarações pessoais de médiuns que dizem não serem espíritas e não terem nenhum vínculo com qualquer “ismo”; são livres atiradores e as suas obras são vendidas nos Centros Espíritas, porque vendem muito. Até amigos muito queridos têm, em suas livrarias, nos Centros Espíritas que frequentam, essas obras que são romances interessantes, como os antigos romances de Agatha Christie, de M. Dellyt e tais. Mas essas obras não são espíritas, embora ditadas por um Espírito, mas ditadas ao computador.
Essas obras são muito interessantes, ninguém contesta, mas o tempo que se gasta, lendo-as, é um desvio do tempo de aprendizagem da Doutrina Espírita. As pessoas ficam sempre à margem, não se aprofundam. Observo, em nossa Instituição, pelas perguntas infantis que me fazem.
É necessário que procuremos divulgar a Doutrina, conforme nós a herdamos do ínclito Codificador e das entidades venerandas, que preservaram essa Doutrina extraordinária, para que nós possamos contribuir com a construção de um mundo melhor.
A respeito desses livros que proliferam, me causam surpresa, quando amigos com quarenta, cinqüenta anos de idade, pessoas lúcidas, pessoas cultas, que nunca foram médiuns, ou, pelo menos, jamais o disseram, escrevem livros até ingênuos, que nem são bons nem são maus, e rotulam como mediúnicos e passam a vender, porque são mediúnicos.
Um dos livros mais vendidos, dito mediúnico, tem verdadeiras aberrações, em que a entidade fez do mundo espiritual uma cópia do mundo físico, ao invés de o mundo físico ser uma cópia do mundo espiritual. Inverteu, porque o Espírito está tão físico no mundo espiritual! E um Espírito do sexo feminino, que tem os fluxos catamênicos no mundo espiritual e que vai ao banheiro e dá descarga!
Outras obras, igualmente muito graves, falam de relacionamentos sexuais para promoverem reencarnação no Além. Ora, a palavra reencarnação já caracteriza tomar um corpo de carne. Como reencarnar no Além, no mundo de energia, de fluidos, onde não existe a carne? O Além, com ninhos de passarinhos multiplicando-se, em que as aves vêm, chocam e nascem os filhotinhos. Não é que estejamos contra qualquer coisa, mas é que são delírios, pura fascinação.
Acredito que alguns desses médiuns são médiuns autênticos. Ocorre que eles não perderam a mediunidade, a sua faculdade mediúnica é que mudou de mãos, daquelas entidades respeitáveis para as entidades frívolas que estão criando verdadeiros embaraços, porque em determinados seminários, palestras, fazem perguntas diretas e ficamos numa situação delicada, porque citam os nomes. Toda vez que dizem os nomes eu me recuso responder. Numa pergunta em tese muito bem, mas declinar nomes, não. Não tenho esse direito de levar alguém ao escárnio.
Dessa forma, o problema é mais grave do que parece, porque muitos também estão fazendo disso profissão, embolsam o resultado das vendas. Enquanto outros justificam obras de má qualidade, por terem um objetivo nobre: ajudar obras de assistência social. Os meios não justificam os fins.”